domingo, 6 de outubro de 2013

Cara Estranho - II

Percebeu-se enganado 
Pelo ego orientado
Vozinha discreta,
mesquinha meta
Mentia que do exterior
se ouvia o interior

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Lilly, de um jeito estranho.

        Sentada - ou devo dizer jogada? - lá estava ela em uma poltrona próxima de mim. Ali, perdida em pensamentos. Perdida no que foi sua infância e no que é agora. O que será que aconteceu com a criança feliz que um dia foi? Destemida, capaz de tudo,  capaz de mudar o mundo com um sorriso eterno estampado no rosto, que se perdeu por aí. Hoje parece que só restou luxuria e melancolia.


        Lilly tinha um jeito estranho, parecia dormir com um drink na mão. Se eu não notasse seu olhar desiludido para o teto, quando meche sua cabeça para um lado, diria que apagou finalmente de tanto beber. Estranho a maneira que chegava a admirar o modo que ela bebia. Não imagino como descrever... Era delicada, mas agressiva. Segurava o copo com toda uma delicadeza e grandeza, que só uma mulher consegue, ao meu ver. Bebia suavemente, mas olhando bem,  eu percebia como o corpo absorvia aquilo violentamente, o quanto seu corpo desejava  cada gota que ingeria, como cada gota a satisfazia. O que me fazia admirar aquilo? Havia uma beleza, havia uma satisfação. Havia algo ali... Eu ia roubando tudo para mim, como seus sentimentos.
        A pequena menina que um dia ela foi, eu saiba que ainda habitava aquele corpo. Acho que eu podia ver. Ela me encantava, vezes ou outra me fitava dali sentada. Um olhar fixo, sem aparente empatia. As vezes os interpretava como um pedido de socorro de uma menina presa, outras vezes como o de um animal faminto. Assim, como um menino solitário e um animal faminto, me juntava a ela.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Cara Estranho - I

Em incerta vida, 
esqueceu-se  que é preciso 
saber viver com improviso
Jurou não ser,
da verdade, homicida
Mas já esquecida a espontaneidade

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Quem vou me vestir hoje?

Tu, caro companheiro, aproxime-se, mas deixe-me aqui a decidir quem sou hoje por instantes. Outros companheiros também vêm me ver, mas qual de mim vou me vestir? Vezes creio em minha voz a me dizer: "Seja perfeito enquanto der". Quase me pondo a me perder. Qual eu, eu serei hoje? Qual de mim devo me vestir? Quem acordo hoje, se me sonhei mal? No entanto, seria mais para o seu agrado eu com meu sorriso? Eu-ontem estava bom, mas hoje não me sentirei confortável assim. Em verdade hoje eu seria calmo, calado, na minha, mas dessa forma irei parecer sem graça para os companheiros animados e festivos. Talvez, com uma ajuda desse copo, posso quem sabe, para  parecer melhor, lupar um pouco dessa festividade em mim.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Amanhecer.

        Alguns feixes de luz invadem o quarto pela janela e encontram o seu rosto deitado na cama. Um contraste de luz e sombra. Sua feição suave, com seus olhos fechados, mostra conforto em seu sono, porém sua mente já acordada evita a verdade de realmente acordar.
        Passa-se o tempo com leves sonhos e ele levanta, caminha para preparar seu café em sua kitnet no quinto andar de uma cinza cidade com vista para uma baía e verdes montanhas ao longo do horizonte. Logo, com sua caneca em mãos, o jovem caminha para sua janela, abre a cortina e por instantes a luz intensa do sol agride seu olhar. Um sorriso surge em seu rosto. Um pé é posto sobre a janela e em seguida a mão em um dos cantos da mesma. Faz-se força e o corpo é erguido também para a janela.  Sobre a janela, ele olha rapidamente a vila que fica sua kitnet e em seguida a cidade, enquanto na janela senta para beber seu café admirando a vista.
        Olhar distante. Bela vista. Uma paz o toma por instantes, mas logo sua mente vai para o resto do dia. Ele tenta ignorar qualquer pensamento naquele momento. Seu olhar se dirigi ao sol, que o aquece a alma. Contemplando o astro, suas mãos procuram seus bolsos em busca de seu isqueiro e de um cigarro. Ele sorri indeciso ao dia.


        As montanhas juntamente do sol das sete o alegram a alma, o cigarro relaxa o seu corpo, o ajuda a ignorar qualquer pensamento sobre o resto do seu dia com o prazer de cada trago. O café lhe dá força. Nem sempre foi assim, ele pensa por fim.